ARQ.SOCIAL

Biblioteca Natural de Zheshui

por LUO studio

Vila de Zheshui, Província de Shanxi, China

A Biblioteca Natural de Zheshui é considerada um projeto de arquitetura social por integrar arquitetura, comunidade e paisagem em uma vila montanhosa remota, oferecendo às crianças um espaço para ler e aprender. A iniciativa parte da tradição local de construir casas diretamente na rocha da montanha, valorizando técnicas vernaculares e o trabalho artesanal dos próprios moradores. Mais do que uma biblioteca, o projeto atua como ferramenta de continuidade cultural, sensibilidade ecológica e vínculo coletivo, contribuindo para uma resposta arquitetônica que restaura esperança e dignidade em territórios frequentemente esquecidos no debate sobre a divisão urbano-rural na China.

detalhes do projeto

ano

2025

ano do projeto

2022

área

154,7 m²

website do projeto

localização

Vila de Zheshui, Distrito de Lingchuan, Província de Shanxi, China

créditos da equipe

arquitetos

- LUO studio -
Luo Yujie,
Wang Beilei, ,
Huang Shangwan,
Hong Lun,
Cao Yutao,
Liang Jiahui.

contribuidores

Old Wu XiaoWu Workshop,
Xiao Fang Workshop,
moradores da Vila de Zheshui,
Jonathan Jordan,
Teresa Lin.

comissionado por

Comitê da Vila de Zheshui, Município de Liuquan, Distrito de Lingchuan, Província de Shanxi.

A Vila de Zheshui fica nas montanhas de Taihang, na província de Shanxi, onde arquitetura e paisagem são inseparáveis. Muitas casas se erguem diretamente da rocha da montanha, e a biblioteca dá continuidade a essa tradição, ancorada em uma parede rochosa. A região enfrenta desafios significativos de isolamento: o transporte difícil encarece o acesso a materiais de construção e o relevo montanhoso restringe o uso de equipamentos pesados, que causariam danos ecológicos.

Diante dessas limitações, a equipe trabalhou a partir de quatro princípios. Materiais locais foram priorizados, com madeira muitas vezes recuperada de fontes não utilizadas e cortada em peças pequenas que os próprios moradores podiam montar sem máquinas. O concreto foi eliminado para evitar a contaminação do solo, substituído por pequenas conexões metálicas fixadas diretamente na rocha. A estrutura segue a tradição de construção em montanha, apoiando-se em uma parede rochosa antes não utilizada para preservar as áreas agrícolas abaixo. Toda a obra foi feita pelos próprios moradores, com técnicas artesanais e conhecimento tradicional.

O projeto foi iniciado em conjunto pelo comitê da vila, pelos moradores e pelo LUO Studio, que colaboraram em todas as etapas de planejamento e construção. A comunidade abraçou a ideia de uma biblioteca infantil como símbolo de progresso e oportunidade de aprendizado nas montanhas. Os livros foram reunidos por meio de campanhas de doação em todo o país, conectando comunidades urbanas e rurais. Escolas e instituições culturais hoje integram a biblioteca em sua programação, vinculando educação e intercâmbio cultural.

Desde sua conclusão, o projeto catalisou uma pequena revitalização local. Famílias abriram restaurantes e converteram casas vazias em pousadas simples para visitantes. Uma família que vivia em outra cidade voltou para a vila para abrir hospedagem. O que começou como uma biblioteca modesta se tornou um centro comunitário onde crianças leem, aprendem e brincam — demonstrando como a arquitetura em regiões montanhosas remotas pode ser ambientalmente responsável, culturalmente respeitosa e socialmente transformadora.

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