ARQ.SOCIAL

Palco Principal do MuyunaFest

por Espacio Común

Iquitos, Peru

O Palco Principal do MuyunaFest é considerado um projeto de arquitetura social por criar um espaço cultural flutuante que responde às realidades climáticas e sociais de Belén, levando cinema e cultura a comunidades ribeirinhas até então excluídas do circuito artístico. A iniciativa parte da arquitetura vernacular amazônica e do conhecimento construtivo dos moradores do bairro, transformando um cotidiano marcado pelas inundações em uma experiência coletiva e celebrativa. Mais do que um palco, o projeto atua como ferramenta de pertencimento, criatividade comunitária e reconciliação com o território, contribuindo para que um bairro historicamente estigmatizado possa reinventar sua relação com a água e o espaço público.

detalhes do projeto

ano

2025

ano do projeto

2024

área

40 m²

website do projeto

localização

Iquitos, Peru

créditos da equipe

arquitetos

- Espacio Común -
Daniel Canchan
Paula Villar

equipe

Beatriz Pacual
Marta Bautista
Rafael Silvano
Segundo Salinas
Jhon Mashacuri
Paulo Navarro
Jose Aris
Segundo Braga
Livia Silvano
Jorge Chilicahua

contribuidores

Sacha Cine
Sauntr Foundation
Muyuna Project.

A demanda nasce do bairro anfíbio de Belén, em Iquitos, na Amazônia peruana, onde o palco foi concebido como o coração do MuyunaFest — um festival internacional de cinema flutuante dedicado às florestas tropicais e seus povos indígenas. Belén, por muito tempo estigmatizada por pobreza e condições precárias, vive flutuações extremas no nível das águas que transformam ruas em rios por meses a cada ano. Casas flutuam sobre toras ou se erguem em palafitas, formando uma paisagem de adaptação, criatividade e resiliência que inspirou diretamente o projeto.

O processo emergiu da relação de longa data entre o Espacio Común e a comunidade. Em vez de impor um desenho pronto, os arquitetos atuaram como acompanhantes, traduzindo em forma arquitetônica ideias desenvolvidas em diálogo. Oficinas de maquetes com crianças geraram conceitos espaciais centrais, e os moradores participaram de todas as etapas — como construtores, cozinheiras e barqueiros. Padrões decorativos co-criados com crianças do bairro, inspirados na cultura visual amazônica, transformam a estrutura em uma obra coletiva que fala de pertencimento e imaginação compartilhada.

O palco se torna ponto de encontro durante o festival, com plateias chegando de canoa, seus barcos balançando suavemente enquanto a luz da tela reflete na água. Os cobertores laterais funcionam como “roupa” do palco, e as imperfeições visíveis — nós, cortes irregulares, assimetrias sutis — são abraçadas como expressão de honestidade e autoria coletiva. A paleta de materiais (madeira regional, sobras de serraria, canas de fazendas próximas, gravetos normalmente usados como lenha) reflete a economia circular já presente na vida amazônica.

O que começou como instalação temporária evoluiu para um projeto cultural de múltiplas camadas. Durante o festival, o palco abriga sessões de cinema, performances e oficinas; depois, segue funcionando como playground, doca flutuante e ponto de encontro informal. O projeto demonstra que estruturas efêmeras podem deixar legado social duradouro — não pela permanência, mas pela participação. A próxima edição, em 2026, será construída por carpinteiros locais e jovens em um processo de formação, e depois transformada em espaço público permanente para Belén.

 

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