ARQ.SOCIAL

Escolas Flutuantes para Resiliência Comunitária e Desenvolvimento Sustentável

por Shidhulai Swanirvar Sangstha

Distrito de Pabna, Bangladesh

As Escolas Flutuantes são consideradas um projeto de arquitetura social por usar a arquitetura como ferramenta de adaptação climática, oferecendo uma resposta móvel à realidade das mudanças climáticas em regiões ribeirinhas vulneráveis. A iniciativa parte do uso de materiais e saberes locais, especialmente da tradição de construção naval, levando estruturas flutuantes que abrigam educação, cuidado e oportunidade até comunidades remotas — em vez de exigir que elas se desloquem. Mais do que um conjunto de barcos, o projeto atua como ferramenta de resiliência, autonomia e continuidade cultural, contribuindo para que pessoas se movam com a água e a arquitetura se mova com elas.

detalhes do projeto

ano

2025

ano do projeto

2021

área

57 m²

website do projeto

localização

Rio Gumani, Distrito de Pabna,
Bangladesh

créditos da equipe

arquitetos

- Shidhulai Swanirvar Sangstha -
Mohammed Rezwan
Nazmul Huda
Madhu Sudan Karmakar
Hore Krisna Churnokar
Md. Rabiul Karim

contribuidores

Associações pelos Direitos das Mulheres em Áreas Sujeitas a Inundações,
Energia Renovável Shidhulai,
Rede de Construtores de Barcos Shidhulai

comissionado por

Shidhulai Swanirvar Sangstha

A iniciativa, no Distrito de Pabna, em Bangladesh, responde ao desafio recorrente do acesso à educação e à saúde em regiões ribeirinhas sujeitas a enchentes. Desenvolvido pelo arquiteto Mohammed Rezwan, o projeto combina design arquitetônico, continuidade cultural e adaptação climática em uma frota de cinco estruturas flutuantes movidas a energia solar — duas escolas, uma biblioteca, um centro de formação e uma clínica de saúde. Os barcos servem comunidades ao longo do Rio Gumani, nos subdistritos de Faridpur e Bhangura, em Pabna. A iniciativa começou em 2002 e amadureceu ao longo de duas décadas, tornando-se plenamente operacional em 2021 ao longo de oito quilômetros do rio.

A ideia surgiu de um problema simples e urgente: as crianças não conseguiam chegar à escola quando as águas isolavam suas aldeias. Em vez de construir em terra constantemente submersa, Rezwan voltou-se para os próprios rios, transformando o barco — ferramenta cotidiana de sobrevivência — em veículo de educação e empoderamento. Os barcos são projetados internamente e construídos por construtores navais locais, com base em gerações de saber tradicional. Muitos da equipe atual, incluindo gestores, supervisores de estaleiro e educadoras, vêm das mesmas comunidades atendidas, e algumas ex-alunas voltaram como professoras.

Cada embarcação responde a condições ambientais e necessidades específicas. A frota inclui barcos-sala-de-aula, bibliotecas, barcos de formação em agricultura sustentável e costura, e clínicas móveis de saúde primária. Tudo é construído em estaleiros locais com materiais como madeira sal, bambu e folhas de zinco recicladas. Os layouts internos são flexíveis: durante o dia funcionam como salas de aula; à noite, abrigam treinamentos para adultos, projeções de filmes ou reuniões comunitárias. Cooperativas de mulheres gerenciam programas de iluminação solar, enquanto os jovens lideram a educação em resiliência climática.

Ao longo de duas décadas, as Escolas Flutuantes expandiram-se para além de Pabna e foram incorporadas ao Plano Nacional de Adaptação 2050 de Bangladesh. Variações do modelo já foram implementadas em outros oito países. Mais do que estruturas isoladas, a iniciativa funciona como sistema, articulando educação, saúde e consciência ambiental por meio da arquitetura. Cada barco é ao mesmo tempo ferramenta e professor, ensinando lições de adaptação, cooperação e cuidado em um cenário onde as mudanças climáticas são realidade cotidiana.

galeria de imagens