ARQ.SOCIAL

Escolas Resilientes Rio Grande do Sul

por Andrade Morettin Arquitetos Associados + sauermartins

Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Escolas para Áreas Sujeitas a Enchentes é considerado um projeto de arquitetura social por reconfigurar a infraestrutura pública de educação como ferramenta de adaptação climática e abrigo comunitário em territórios vulneráveis a enchentes recorrentes. A iniciativa parte da elevação em palafitas dos espaços pedagógicos, do uso do térreo como pátio inundável e da incorporação de uma cobertura superior preparada para funcionar como abrigo emergencial. Mais do que um edifício escolar, o projeto atua como protótipo replicável de infraestrutura pública resiliente, contribuindo para garantir o direito à educação e à proteção em comunidades ribeirinhas sob impacto direto das mudanças climáticas.

detalhes do projeto

ano

projeto detalhado em desenvolvimento (em fase de detalhamento técnico, 2025)

ano do projeto

2022

website do projeto

localização

Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

créditos da equipe

arquitetos

- Andrade Morettin Arquitetos Associados -
Vinicius Andrade
Marcelo Morettin
Marcelo Maia Rosa
Renata Andrulis
- sauermartins -
Elisa Martins
Cássio Sauer

contribuidores

Izabel Sigaud
Ana Paula Silveira
Arthur Frensch
Maria Carolina Bomeny
Lucas Santos
Eric Dick
Luiza Minassian
Daniel Zahoul
Camille Loucatelli
Lucas Borges
Maysa Costa
Marina Lira (coordenação)
Morgana Goulart
Bernardo Kich
Rafael Moreira
Igor de March
Gabriela Campos
João Palma
Pedro Brandelli

comissionado por

Instituto Unibanco
Secretaria de Estado de Educação do Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul vive um cenário de enchentes recorrentes que se agravou drasticamente com a catástrofe climática de 2024, quando dezenas de escolas públicas foram destruídas ou interditadas em áreas ribeirinhas. Diante desse contexto, o Instituto Unibanco e a Secretaria de Estado de Educação do Rio Grande do Sul convidaram os escritórios Andrade Morettin e sauermartins para desenvolver um protótipo de escola pública adaptado a regiões de alta vulnerabilidade hídrica. O terreno escolhido em Porto Alegre é justamente o local onde uma escola anterior havia sido destruída pela enchente, decisão que preserva o vínculo com a comunidade e recusa a relocação para áreas mais distantes.

A diretriz fundamental é aceitar a enchente como condição inevitável do território e operar com a água, em vez de tentar contê-la com diques ou sistemas mecânicos onerosos. O edifício é elevado sobre pilotis, tipologia que retoma a palafita tradicional das comunidades ribeirinhas brasileiras. Salas de aula, laboratórios, bibliotecas e infraestrutura técnica essencial são posicionados acima da cota máxima de inundação. O térreo é assumido como espaço inundável e abriga pátio, quadra esportiva e área de assembleia, com materiais tolerantes à água e desenho que permite recuperação rápida após o recuo das águas. A verticalização reduz a ocupação do solo e contribui para a lógica de cidade-esponja.

A cobertura superior é projetada como ginásio que opera simultaneamente como abrigo emergencial e centro de apoio à defesa civil, equipado com cozinha, refeitório, banheiros, reservatório de água potável e sistema fotovoltaico. As estratégias passivas estruturam o desempenho ambiental: beirais estendidos garantem sombra e ventilação cruzada, salas de aula são orientadas a norte e as aberturas recebem brises de bambu em referência ao artesanato local. O paisagismo integra microfloresta, viveiro de mudas, horta comunitária e um wetland para tratamento de águas servidas, expandindo o programa educacional para a dimensão ambiental.

A escala do projeto vai além do edifício individual: trata-se de um sistema de construção e reforma da rede estadual, sistematizado em um guia ilustrado para aplicação em outras unidades. O sistema construtivo combina superestrutura em concreto pré-moldado modular com cobertura em madeira pré-fabricada, otimizando reprodutibilidade e adequação a solos de baixa capacidade de carga. Uma estratégia central é um módulo “plugin” de infraestrutura e acessibilidade que pode ser acoplado a escolas existentes, ampliando o alcance da intervenção sem demandar reconstrução integral. Reconhecido com o Grand Prize do Holcim Foundation Awards 2025 para a América Latina, o projeto consolida a escola pública como infraestrutura territorial multifuncional e oferece um modelo escalável de adaptação climática para o Sul global.

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